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Lâmina



Resposta ao meu querido Porto Croft

Portinho, tu dizes com propriedade: "Nada como um bom portuga". E eu respondo:

..."Nada como um bom portuga", ou como um portuga bom: de prosa, de cama, de coração, de garfo, de ironia.
Não se fazem homens como os de lá, em diversos aspectos e, num exato caso particular, "naquele".
Se bem que, pela amostra e pelo que falam as boas e más línguas, as "vantagens aparentes"
costumam não ser nenhuma vantagem por lá.
A única coisa em que os portugueses não são muito bons é em interpretar sutilezas e ironias .
Mas no que eles são mesmo ruins : levar tudo ao pé da letra.
Não cabem metáforas, a não ser que o gajo seja poeta e , às vezes, nem nesses casos.
Sou apologista de um bom português, o vinho, o escrito, o falado, o olhado e o beijável, claro.
Desde que lhe haja pelo menos alguns dentes em bom estado, pois lembrei-me de outro problema
que não é necessariamente do bom português, mas de sua cultura e dos maus estomatologistas.
Ai, esses dentes ....:(((
Quando estive em Portugal, levava na bagagem , além dos 100 CDs, mais do que a fantasia
sobre o caráter irredutível dos portugueses.
Uma imagem cheia de reservas sobre a sua saúde dental e, claro, alguns boatos sobre suas enormes,
porém pouco usadas, "diferenças estruturais", naquelas terras de pseudo-pudicas.
Encantada que sempre fui pelos ares lusitanos, caí de boca numa daquelas bocas
não muito recomendáveis por aqui,
mas descobri que, aparências à parte, não é por falta de higiene que os dentes fogem,
mais pela questão cultural mesmo, que hoje já toma novos rumos.
Mas, dentições à parte, as outras e boas partes compensam tudo.
E o mais importante: por mais aparentemente rústicos que sejam,
os portugueses são bons de alma e coração.
Isso não se troca.
Recomendo.
Beijos. 
 


Escrito por Ana Cristina às 23h59
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