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Lâmina



uma foto do show Poemas

A câmara é nova, então ainda estamos todos apanhando da tecnologia. Mas, mesmo desfocada, estas fotos ficam como uma amostra das cores que circularam no palco durante o show Poemas Musicados, em Ipatinga.



Escrito por Ana Cristina às 23h02
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a Caravana volta à ação

Com o aval da Lei Estadual de Incentivo e o patrocínio da USIMINAS, a caravana Poética está de volta. Em agosto, shows, oficinas, workshops, varais de poesia e muito mais.

Abaixo, uma amostra do que aconteceu em Ipatinga, no espetáculo infantil Girafulô



Escrito por Ana Cristina às 22h59
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Historinha de segunda

Ele me roubou um beijo e eu fiquei assim, perdida no corredor, como que abduzida por uma nave alienígena.

Saí flutuando, sem saber ao certo pra onde ia, até encontrar os outros. A preocupação agora era esconder o rubor causado pelo roçar da barba mal feita em minha pele.

Uma desculpa, pelo amor de Deus!

Ainda bem que ninguém se deu conta.

Cheguei no escritório completamente entorpecida e me achando a mulher mais idiota do mundo.

Parecia uma daquelas adolescentes que descobrem o amor; no caso, que reacendem uma brasa congelada há dois anos.

Comecei a escrever fervorosamente, rimas caretas, frases desencontradas, textos desconexos mas cheios de segundas intenções.

Os releases nunca foram tão românticos.

Armei minha estratégia do “ou vai ou racha” pra o mais rápido possível. Eu me conheço, não posso neste momento me dar ao luxo de devaneios. Tô cheia de trabalho.

Reunião na segunda. É isso.

Preciso de carona, ligo pra ele, peço, tudo certo, se ele quiser, rola, se não, deixa pra lá.

Mas pra garantir o desejo dele, deixei uma isca: um desses meus textos melosos/eróticos, mais pra intimação do que pra poema. Pra ele ficar pensando no assunto.

Tudo milimetricamente planejado, pensei.

Passa sábado, passa domingo, ligo na segunda. E dá-lhe devaneio.

Liguei.

Profissional, distante, objetiva: preciso de carona pra reunião. Ele: OK, te aviso quando for, devo atrasar.

Adiantou uma hora. Chegou, entrei no carro, foi logo pousando a mão no meu joelho, todo íntimo. Tá ganha a batalha,  pensei.

Mantive a pose, claro, não vou ficar dando mole.

Fomos à reunião, mas, no caminho, ele logo propôs uma fugidinha antes do fim da pauta. Eu vibrava de felicidade, mal podia acreditar que o “meu” plano dava certo.

Bla, bla ,bla

Nada acabava, pedi primeiro a palavra, argumentando pressa e compromisso posterior. Derramei lá uma verborréia daquelas, cheias de expressões de efeito, até convincentes, arranquei uns olhares de admiração e outros de dúvida (será que ela pensou isso sozinha?).

Ele logo pegou uma deixa e deu lá o recado dele, bastante pertinente, por sinal.

Dei mais uma meia hora e logo disse, vou embora. Ele, não, vamos que tenho que cuidar da minha avozinha. Pior que é verdade, ele é netinho exemplar.

Fugimos e então, no carro, começou aquela mão boba de novo. E a avó no meio, ele tinha que ir cuidar dela. Dei meu tiro de misericórdia: me deixe em casa e a gente toma um chá de canela, tá frio, e depois você vai cuidar de sua avó.

Ele apenas perguntou: onde estão todos? Viajaram, foi a minha senha.

Subiu 56 degraus e nem suspirou. Entrou, elogiou a bagunça. Caí sobre ele cheia de carinho.

 

Pois é, pouco depois fui me lembrar do porquê de ter desistido de me casar com ele, caso ele quisesse.

Tudo vai perfeitamente bem, fantasia, ação....mas tem um detalhe: um pequeno, mínimo, quase imperceptível detalhe, que mal cabe na palma da minha mão.

Êta mundo imperfeito, meu Deus! 



Escrito por Ana Cristina às 02h06
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