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Lâmina



Caio Gracco

Escrito por Ana Cristina às 21h46
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Eu e Dom Quixote

Primeiro dia oficial do alalaô. Essa histeria coletiva associada a uma necessidade quase vital de beijar na boca, esse "momento mágico"(argh) , essa Terra do Nunca pra onde vão 49% dos brasileiros, segundo dados estatísticos.

Quietinha, ao lado dos outros 51%, eu, meus 6 DVDs e a TV a cabo temos um compromisso inadiável com a alienação, pelo menos nestes 4 dias.

Algumas coisinhas antigas, umas bobagens ótimas, um desenho animado e um drama sobre o Afeganistão que me leva a morrer de vergonha dos meus queixumes, essas são as minhas companhias.

Ah, e um casal de pombinhos virtuais do Além-Mar que teimo em importunar às vezes. Meus lindos amigos , unidos pela poesia, pelos acordes e por mais de uma dúzia de entrelinhas....

Então fica muito fácil me encontrar, sou a sumida mais previsível da face da terra. Ou em frente à TV, ou em frente ao PC, ou praticamente dentro da geladeira....

Vontade de ler muito, principalmente após passear pelo blog da Leila Pinheiro, mas preciso dos tais óculos, senão as letras entram em greve diante dos meus olhos.

Dom Quixote está ali, o primeiro volume por acabar há meses, eu sempre volto algumas páginas mas em instantes as letrinhas se revoltam, ai ai ai.

Fico pensando na bagunça toda lá fora. Lá fora entenda-se qualquer lugar fora da região metropolitana de BH. Imagino o tumulto e a alegria....forjada pela necessidade de ser Carnaval.

Então imagino além: BH é nacionalmente conhecida como a cidade de onde se foge nesta época. Já pensou se fizéssemos um Carnaval Cultural, um festival de Música, de Jazz, MPB, POP, erudito, em cada praça, nos teatros...Já imaginou a alegria do restante dos 51% dos nada carnavalescos?????

A BELOTUR nem imagina como os hotéis, restaurantes, bares, seriam eternamente gratos por isso. Ah, e os artistas, produtores, técnicos, fugitivos do Alalaô....

 



Escrito por Ana Cristina às 21h44
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minha noite brilha mais,

apesar de céu escuro.

no reflexo de um olhar, uma gota de luz clareia:

és o sol da meia noite daqui,

lua do amanhecer do outro mundo.



Escrito por Ana Cristina às 16h11
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estes desenhos são do Caio Gracco que, além de um grande músico e arranjador e diretor musical, é maluquinho assim.;.....



Escrito por Ana Cristina às 13h18
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Caio Gracco

Escrito por Ana Cristina às 13h07
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ÓBVIOS

Eu na sala de espera, obviamente esperando alguém que não consigo digerir, pra tentar algo que nem sei se quero, mas preciso. Que, aliás, não sei nem o que é.

Pra dizer a verdade, não sei se não quero ou se tenho medo. Tanto tempo na gaiola egocêntrica, sinto-me mal acostumada. Será que sei obedecer? será que consigo acatar ordens? será que dou conta de conviver?

Eu eremita assumida, confessa, por medo do mundo, por preguiça de convivências hipócritas, por doença de alma, por vontade própria, involuntariamente, por inércia, ainda não sei se quero o mundo daqui.

Esquizofrênica, tranco-me no anseio pelo mundo de lá, aquele que obviamente não alcanço.

A raiz do isolamento é o medo, a insegurança, o complexo, a baixa-estima? Sei lá, isso é papo pra terapia.

Mas não me sinto como um pássaro liberto de sua alienante mas conveniente gaiola. Sou mais uma vaca indo para o matadouro da hipocrisia sócio-cultural.

(esperando por uma hora e tantos minutos mais, em local que não vem ao caso, por pessoa que...muito menos)

 



Escrito por Ana Cristina às 12h37
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Se deixo passar, percebo

Que logo, tão logo, esqueço

Se prendo com as mãos, recebo

O escorregar entre os dedos

Se fisgo o olhar compreendo

Que os olhos vão mais além

E que atravessam espelhos

De visões que não convêm

 

Se calo seus sons escuto

Ruídos de não-desejos;

Se amarro suas mãos, condeno

A ter na prisão seu medo

Se guardo o calor, me perco

nos sonhos que não domino,

que me acometem qual sinos,

sinais que não compreendo

 

Se grito, não imagino

Por onde passa esse som

Se choro, triste destino

Da chuva que cai de mim

Se eu te quero tanto assim

Não há mais quem me condene

Pois este amor vem pra mim

Como castigo perene.

 

 

 

Set/2000.



Escrito por Ana Cristina às 23h52
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www.anacristina.com.br

Eu, minha vida, minha música. Veja, ouça, leia.



Escrito por Ana Cristina às 23h49
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http://www.anacristina.com.br

Escrito por Ana Cristina às 23h47
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Alalaô

Quase meia noite dessa véspera de alalaô. Ironicamente, além da insistência da TV em me lembrar do carnaval, não vejo ao meu redor nenhuma sombra de festa.

Vago agora pela net em busca de alguns parcos amigos virtuais que ainda se aventuram, invento amigos em outros fusos horários e o desencontro é inevitável.

E o vácuo me leva a pensar por instantes pra onde foram os amigos reais: Anelise, Juliana, quem mais?????Tem mais alguém aqui?

O que leva as pessoas a se isolarem e esquecerem do que as cerca. Falo de pessoas, falo de encontros de amizade. Falo de família, essa instituição tão forjada e que me soa tão artificial.

Peças de vários quebra-cabeças que jamais vão se encaixar. Pessoas fantasiadas de pai, mãe, irmão, sobrinho. Distantes, desconhecidos.

Chego à conclusão de que talvez o Carnaval seja o único momento em que se despe a fantasia e se vive a necessidade de chutar o balde pra não enlouquecer, ou enlouquecer de vez.

 

 

 



Escrito por Ana Cristina às 23h34
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